sexta-feira, 1 de maio de 2009

Nos tempos de hoje denomina-se muita coisa, de forma equivocada, como arte. Para mim, arte continua sendo aquilo que nos encanta por sua beleza e pela forma com que atinge o espectador e faz com que desperte nele sentimentos prazerosos e ou de reflexão.

Uma homenagem a todos àqueles que permitem que eu entre no seu espaço e copartilhe das coisas lindas que fazem.

Um bj

A imagem é perfeita para representar os momentos em que nos sentimos como os pobres peixes que são tirados do seu habitat natural e levados para um espaço delimitado, onde ficam à mercê de alguém para lhes alimentar e garantir sua sobrevivência.
Ao ver essa imagem, logo me veio à cabeça a situação de muitas pessoas que se sentem presas e sufocadas em determinada situação; mergulhadas em problemas, sem ver saída.
Nesse caso particular, imaginei o problema que muitas mulheres ainda vivem, prisioneiras nas mãos de homens que as dominam, seja pela dependência econômica ou emocional.
Em qualquer que seja o caso, hoje, há como se libertar desse problema que fez com que muitas gerações de mulheres, no passado, se submetessem a isso. Atualmente, as jovens estruturadas , que sabem desde cedo o que querem, buscam primeiro a sua realização pesoal e profissional e depois um relacionamento amoroso mais sério; filhos passou a ser a última coisa a pensar.
Embora constatemos que isso não se configura da mesma forma em todas as classes sociais;penso que avançamos muito no que diz respeito a termos os mesmos direitos que os homens.
É necessário, não obstante, que tenhamos em mente que não podemos vacilar e devemos continuar a luta, para obtermos os mesmos direitos que os homens, sem nenhuma restrição, mas isso não significa tê-los como imigos e nem tampouco repetirmos comportamentos inaceitáveis para qualquer pessoa, seja ela do genêro masculino ou feminino.
Como diz o ditado que atribuiram ser de autoria de Che Guevara ( e que já se sabe não ser ) : ay que endurecer, pero sín pierder la ternura !

É maravilhoso viajar e conhecer lugares, povos e culturas diferentes.
Particularmente, adoro o contraste do antigo com o moderno encontrado na arquitetura das cidades européias: palácios decorados com ouro, mármore, tapeçaria, cristais e o que há de mais requintado convivem lado a lado, com prédios modernos, de estilos arrojados que dipõem de todo tipo de tecnologia e, no entanto, nenhum ofusca o "brilho" do outro

domingo, 26 de abril de 2009


Leila Marinho Lage é uma médica que publica texto no mesmo site que eu: Recanto das Letras .

Envio matérias sobre o autor desta obra, a letra da música em algumas versões, além de vídeos com memoráveis interpretações artísticas.Vida de Joaquín RodrigoPágina 1 Página 2Sobre o Concerto de Aranjuez Página 1 You tubeCom Paco de LuciaCom Andrea BocelliCom Sarah Brightman Com Jose Carreras Dentro de uma basílica.

Leila Marinho Lage
En Aranjuez con tu amorPubliquei em E-books um PPS chamado Ambiguidade, com poema de Vany Grizante, colega nossa do Recanto das Letras. Podem acessar a apresentação através deste link:http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1558988Eu queria homenagear Vany usando algum trabalho seu. Escolhi o referido poema por instinto e por ele ser muito bonito. Ao formatar a apresentação, automaticamente me veio à cabeça a música Aranjuez mon amour, versão em francês de En Aranjuez com tu amor, um pequeno trecho musical que pertence ao Concerto de Aranjuez, por Joaquín Rodrigo Vidre, pianista e compositor espanhol (1901/1999). Quem fez a letra para Joaquín Rodrigo foi Alfredo Garcia Segura. Esta obra teve sua première em 1940, em Barcelona. Eu me interessei em ler mais a respeito da música. Só não descobri quem realmente fez a versão em francês, talvez os próprios compositores espanhóis.Esta música se popularizou mundialmente e foi cantada e tocada por centenas de artistas. Foi eternizada na voz de Amália Rodrigues, fadista portuguesa, quando gravada em 1967, uma interpretação perfeita na pronúncia e na voz. Aranjuez é uma pequena cidade situada no sul de Madrid, perto do rio Tejo, na Espanha. Famosa pelo cultivo de morangos e aspargos. Possui lindos palácios, dentre eles, o Palácio Real, antiga residência dos reis da Casa de Bourbon, e a "Casita del Labrador", um palacete que guarda uma rica coleção de relógios. São rodeados por lindos jardins e cachoeiras. Rodrigo descreve no concerto essa beleza, através da percepção de sons e perfumes, que compartilhou com sua esposa, a pianista Victoria Kamhi, em sua lua-de-mel em 1933. Ele dizia que “sua música repousa sonhadora sob a folhagem do parque que rodeia o palácio barroco, e apenas deseja ser ágil como uma borboleta e precisa como o passe da capa de um toureiro”. Em suas composições musicais Joaquín Rodrigo enaltecia os sentidos, como os odores, o calor do sol, o som dos pássaros, justamente por ser cego desde criança, após ter contraído difteria. Por isso é que tinha que ser esta música para a apresentação que eu formatei, ainda mais que fala de amor, apesar de haver uma lendária e triste explicação para esta composição, que afirma que Rodrigo tentava com ela consolar sua esposa que por anos estava deprimida pela morte de um filho, após o parto. Rodrigo recorria a Deus para salvar sua esposa e a ele próprio, trazendo-lhes alegria ao reviver dias bons, paz de espírito e aceitação da perda.O compositor se inspirou na musica espanhola barroca dos séculos 17 e 18. O concerto é composto por uma orquestra que acompanha um violão flamenco solo. Foi idealizado em 1939, constituindo três movimentos: "Allegro con spirito", um passeio, como anteriormente foi dito, através das sensações que o belo a redor transmite.O segundo movimento, "Adagio", este, o mais conhecido, se baseia em um lamento andaluz, lento, cadenciado, até explodir toda a orquestra, tal qual Bolero de Ravel. Alguns dizem que o movimento foi inspirado no bombardeio de Guernica, na guerra civil espanhola que durou de 1936 a 1939. O terceiro movimento, chamado "Allegro gentile", volta ao barroco, agora acrescido o ritmo das antigas danças populares.Em 1959 Miles Davis, em parceria com Gil Evans, utilizou o segundo movimento para o arranjo que até hoje encanta o mundo, lançado no álbum chamado Sketches of Spain, mas que infelizmente fez com que o resto da obra fosse deixado em segundo plano.Abaixo envio matérias sobre o autor desta obra, a letra da música em algumas versões, além de vídeos com memoráveis interpretações artísticas.Vida de Joaquín RodrigoPágina 1 Página 2Sobre o Concerto de Aranjuez Página 1

Leila Marinho Lage
En Aranjuez con tu amor

Letra em Inglês e Português Em Aranjuez com teu amor Aranjuez, a place of dreams and love Aranjuez,Aranjuez, um local de sonho e amor Where a rumour of crystal fountains in the garden Sempre que um rumor de fontes de cristal no jardim Seems to whisper to the roses Parece que sussurrar para as rosas Aranjuez, today the dry leaves without colour Aranjuez, hoje as folhas secas sem cor Which are swept by the wind Quais são varridos pelo vento Are memories of the romance you and I once started together São lembranças do romance que você e eu juntos começamosAnd that we've forgotten without reason E que temos esquecido sem motivo Maybe that love is hidden in one sunset Talvez que o amor esteja escondido em um pôr-do-sol In the breeze or in the flower Na brisa ou na flor Waiting for your return Aguardando o seu retorno Aranjuez, today the dry leaves without colour Aranjuez, hoje as folhas secas sem cor Which are swept by the wind Os quais são varridos pelo vento Are memories of the romance you and I once started together São lembranças do romance que você e eu juntos começamosAnd that we've forgotten without reason E que temos esquecido sem motivo In Aranjuez, my love Em Aranjuez, meu amor You and I Você e eu

Letra em EspanholEn Aranjuez Con Tu AmorAranjuez, Aranjuez, Un lugar de ensuenos y de amor Donde u rumor de fuentes de cristal de cristal En el jardin parece hablar En voz baja a las rosas Aranjuez, Aranjuez, Hoy las hojas secas sin color Que barre el viento Son recuerdos del romance Que una vez juntos empezamos tu y yo Y sin razon olvidamos Quiza ese amor escondido este En un atardecer En la brisa o en la flor Esperando tu regreso Aranjuez, Aranjuez, Hoy las hojas secas sin color Que barre el viento Son recuerdos del romace Que una vez juntos empezamos tu y yo Y sin razon olvidamos En Aranjuez, amor Tu y yo

Letra em francêsAranjuez, Mon AmourMon amour, sur l'eau des fontaines, mon amourOu le vent les amènent, mon amourLe soir tombé, qu'on voit flottéDes pétales de rosesMon amour et des murs se gercent mon amourAu soleil au vent à l'averse et aux années qui vontpassantDepuis le matin de mai qu'ils sont venusEt quand chantant, soudain ils ont écrit sur les mursdu bout de leur fusilDe bien étranges chosesMon amour, le rosier suit les traces, mon amourSur le mur et enlace, mon amourLeurs noms gravés et chaque étéD'un beau rouge sont les rosesMon amour, sèche les fontaines, mon amourAu soleil au vent de la plaine et aux années qui vontpassantDepuis le matin de mai qu'il sont venusLa fleur au cœur, les pieds nus, le pas lentEt les yeux éclairés d'un étrange sourireEt sur ce mur lorsque le soir descendOn croirait voir des taches de sangCe ne sont que des roses!Aranjuez, mon amour

Leila Marinho Lage

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Essa é Sophia, minha neta!!!


Penso que uma das melhores coisas da vida é comer bem. Portanto, estou sempre em busca de bons restaurantes; lugares charmosos e que tenham um bom atendimento.
Estou um pouco acima do meu peso, justamente por isso...mas não abro mão de uma boa comida. E se for em boa companhia, melhor ainda!
Aos poucos descubro que Porto Alegre está se sofisticando na área da gastronomia; é só procurar.
Há todo tipo de cozinha: das mais simples, às mais sofisticadas. Aliás, o Rio Grande do Sul é privilegiado com a diversidade de culturas e costumes diferentes trazidos pelos imigrantes que aqui aportaram , daí tanta riqueza na culinária.
Bem, vou aproveitar o feriadão e me esbaldar!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dizer que gato preto dá azar é demonstração de racismo heim! (=':'=) "HeHeHeHeHe" (=';'=)Coitado do bixinho, que não tem nada a ver com as superstições humanas!
Para aqueles que curtem gatos: os bichos!!
"O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato."Trecho de Ode ao Gato de Artur da Távola

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nos últimos tempos, tenho me assustado com o peso da idade e a curva descendente em diração à velhice e a morte.
E vocês, amigos , como lidam com isso?


O texto a baixo é do grande Rubem Alves. Vale a apena conferir.

Tenho medo...
Um casal de amigos enviou-me um fax com um pedido: que lhes mandasse os nomes dos livros que tenho sobre o medo. Explicaram a razão do pedido: tinham medo... E pensavam que pela leitura daquilo que sobre o medo se escreveu como ciência e filosofia, o seu próprio medo ficaria mais leve.Procurei fazer o que me pediam. Pus a funcionar os arquivos da minha memória, procurando identificar os livros sobre o medo que estariam na minha biblioteca. Inutilmente. Nenhum título me veio à mente. Dei-me conta de que não possuo nenhum livro sobre o medo. Sem livros a que recorrer, pus-me a pensar meus próprios pensamentos sobre o medo. E o primeiro pensamento que me veio foi o seguinte: Eu tenho medo. Eu sempre tive medo. Viver é lutar diariamente com o medo. Talvez esse seja o sentido a lenda de São Jorge, lutando com o dragão. O dragão não morre nunca. E a batalha se repete, a cada dia.Como não pudesse ajudar meus amigos com bibliografia filosófica e científica, resolvi compartilhar com eles minha condição. O medo tem muitas faces. Lembro-me de que, bem pequeno ainda, acordei chorando, imaginando que um dia eu estaria sozinho no mundo. Foi uma dura experiência de abandono. Tive medo de não ser capaz de ganhar a minha vida quando meu pai e minha mãe partissem. Na verdade eu tinha era medo da orfandade, do abandono. Minha filha Raquel tinha não mais que três anos. Era cedo, bem cedo. Ela me acordou e me perguntou: “Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?“ Essa foi a forma delicada que ela teve de me dizer que tinha medo da saudade que ela iria sentir, quando eu partisse. O rosto do medo mudou. Mas o sentimento continua o mesmo. Tenho medo da solidão. Há uma solidão boa. É a solidão necessária para ouvir música, ler, pensar, escrever. Mas há a solidão do abandono. Buber relata que, numa língua africana, a palavra para dizer “solidão“ é composta de uma série de palavras aglutinadas que, se traduzidas uma a uma, dariam a frase: Lá, onde alguém grita: Oh! mãe! Estou perdido! O trágico dessa palavra é que o grito nunca será ouvido, nunca terá resposta. Tenho medo da degeneração estética da velhice. Tenho medo que um derrame me paralise, deixando-me sem meios de efetivar a decisão que seria sábia e amorosa: partir. Tenho medo da morte. Antigamente esse medo me atormentava diariamente. Depois ele se tornou gentil. Ficou suave. Passei a compreender que a morte pode ser uma amiga. Veio-me à mente uma frase que se encontra na oração Pelos que vão morrer, de Walter Rauschenbusch: “Ó Deus, nós te louvamos porque para nós a morte não é mais uma inimiga, e sim um grande anjo teu, nosso amigo, o único a poder abrir, para alguns de nós, a prisão da dor e do sofrimento e nos levar para os espaços imensos de uma nova vida. Mas nós somos como crianças, com medo do escuro...“ (Orações por um mundo melhor, Paulus ). O Vinícius disse a mesma coisa de um outro jeito: “Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante, sem saber que é a minha mais nova namorada.“ Boas são as palavras das orações e dos poemas: elas têm o poder de transfigurar a face do medo. Meu medo da morte ficou suave porque o seu terror foi amenizado pela tristeza. Ah! Mário Quintana! Como eu gosto de você, velho que nunca deixou de ser menino! Você sabia tirar o terror do medo rindo diante dele. Você lidava com seus medos como se fossem brinquedos. Delicioso, esse brinquedinho: “Um dia...pronto!...me acabo./ Pois seja o que tem de ser./ Morrer: que me importa? O diabo é deixar de viver!“ Isso mesmo. O terrível não é morrer; é deixar de viver. O terrível não é o que está à frente; é o que deixamos para trás. É um desaforo ter de deixar essa vida! Zorba, quando percebeu que seu momento chegara, foi até a janela, olhou para as montanhas no horizonte, pôs-se a relinchar como um cavalo e gritou: “Um homem como eu teria de viver mil anos!“ E eu pergunto: “Por que tanta modéstia? Por que só mil?“Mas tenho medo do morrer. Medo da morte e medo do morrer são coisas distintas. O morrer pode ser doloroso, longo, humilhante. Especialmente quando os médicos não permitem que o corpo que deseja morrer, morra.Tenho medo também da loucura. Não há sinal algum de que eu vá ficar louco. Mas nunca se sabe! Muitas mentes luminosas ficaram insanas. E tenho medo de que algo ruim venha a acontecer com meus filhos e netas. Sábias foram as palavras daquele homem que, no livro onde deveriam ser escritos os bons desejos à recém-nascida neta do rei, escreveu: “Morre o avô, morre o pai, morre o filho...“ Enfurecido, o rei lhe pede explicações. “Majestade: haverá tristeza maior para um avô que ver o seu filho morrer? E para o seu filho: haveria tristeza maior que ver sua filhinha morrer? É preciso que a morte aconteça na ordem certa...“ Tenho medo de que a morte não aconteça na ordem certa.Somos iguais aos animais, em que as mesmas coisas terríveis podem acontecer a eles e a nós. Mas somos diferentes deles porque eles só sofrem como se deve sofrer, isto é, quando o terrível acontece. E nós, tolos, sofremos sem que ele tenha acontecido. Sofremos imaginando o terrível. O medo é a presença do terrível-não-acontecido, se apossando das nossas vidas. Ele pode acontecer? Pode. Mas ainda não aconteceu e nem se sabe se acontecerá.Curioso: nós, humanos, somos os únicos animais a ter prazer no medo. A colina suave não seduz o alpinista. Ele quer o perigo dos abismos, o calafrio das neves, a sensação de solidão. A terra firme, tão segura, tão sem medo, tão monótona! Mas é o mar sem fim que nos chama: “A solidez da terra, monótona, parece-nos fraca ilusão. Queremos a ilusão do grande mar, multiplicada em suas malhas de perigo...“ (Cecília Meireles).A pomba, que por medo do gavião, se recusasse a sair do ninho, já se teria perdido no próprio ato de fugir do gavião. Porque o medo lhe teria roubado aquilo que de mais precioso existe num pássaro: o vôo. Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.O medo não é uma perturbação psicológica. Ele é parte da nossa própria alma. O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar. Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja, vive a morte na própria vida. Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá, quando a morte vier. Mas só quando ela vier. Esse é o sentido das palavras de Jesus: “Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas quem perder a sua vida, a encontrará.“ Viver a vida, aceitando o risco da morte: isso tem o nome de coragem. Coragem não é ausência do medo. É viver, a despeito do medo.Houve um tempo em que eu invocava os deuses para me proteger do medo. Eu repetia os poemas sagrados para exorcizar o medo: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum...“ “Mil cairão à tua direita, dez mil à tua esquerda, mas nenhum mal te sucederá...“ A vida me ensinou que esses consolos não são verdadeiros. Os deuses não nos protegem do medo. Eles nos convidam à coragem de viver a despeito dele.Aperitivos1. Talvez essa seja a razão por que amamos o circo: porque nele podemos sentir medo sem correr perigo: voamos com os trapezistas, equilibramo-nos no fio de aço, enfrentamos tigres e leões... Experimentamos, na fantasia, o medo diante do terrível, assentados num lugar seguro...2. Bachelard: a delicadeza das suas meditações sobre a luz da vela acontece perante o medo de que um vento mais forte apague a chama: “Sim, a luz de um olhar, para onde ela vai quando a morte coloca seu dedo frio sobre os olhos de um morto?“ E no último parágrafo ele pergunta: “... será que ainda há tempo...?“3. Drummond: “Eterno (mas até quando?) é esse barulho em nós de um mar profundo. Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos...“ E o Vinícius, que confessava o “terrível medo de renascer dentro da treva.“ ( A casa de Rubem Alves.Correio Popular, Caderno C, 22/07/2001.)


quarta-feira, 25 de março de 2009

Vera Lúcia - Verdade e Luz.

Sou Vera. Verdadeira. Cheia de vida. Venho de outras Eras. Vivi outras vidas...Penso que em uma delas fui uma mulher de muitas verdades; cheia de vontade de ensinar para as gentes.Sou uma mulher- metrópole que sabe das coisas do mundo. Mulher que nunca se dobra diante das dificuldades, que não aceita um não, sem saber o porquê; sempre bela, fala cuidada, gestos pensados, "séculos" de sabedoria, o que sabe informa, divide. "Fera", cabeça erguida, passo firme. Sou Vera. Sou Lúcia. Luminosa. Suave. Sou mulher que brilha; ilumina. Por onde passo distribuo sorrisos. Sou afável.

Sou Lúcia, luz que às vezes enfraquece, parece que vai apagar, mas num instante se agiganta e ilumina aqueles que de mim se aproximam.Tenho mãos delicadas, olhar translúcido e um sorriso de Monalisa que seduz até os os duros de coração e alma pequena. Sou Lúcia; minúscula de altura, grande quando sonha e com muita fé na vida.Sou Vera Lúcia, mulher de todos osTempos.

A inspiração para produzir este texto foi retirada da obra do escritor Elias José onde ele, através da personagem chamada Vera Lúcia, explica o significado deste nome. Por ter me identificado não só com o nome mas também com as características da personagem, "apropriei -me" de algumas falas do seu texto para criar o meu.