domingo, 31 de maio de 2009

Crônica


A magia de viver


Há dias em que acordamos mais reflexivos do que em outros. Hoje é um deles. Logo cedo, ao abrir os olhos, me peguei pensando nos acasos de vida - ou serão caminhos que buscamos inconscientemente .
Seja como for, algumas coisas parecem fugir ao nosso controle. É o caso dos encontros e desencontros; os vínculos que vamos criando ou desfazendo ao longo do tempo.O que nos impulsiona na diração dessa ou aquela pessoa? Seriam as afinidades? E quando são completamente diferentes de nós?Dizem que os opostos se atraem e que os iguais se complementam. Vá saber..O que eu sei é o que sinto. E o que sinto é que, em cada um de nós, existe uma magia capaz de hipnotizar o outro, de tal maneira que, às vezes, não conseguimos mais imaginar viver sem a presença dele.
As coisas são assim: estamos quietinhos e, de repente, sem pedir licença, alguém entra em nossa vida e se faz imprescindível, assim como o ar que respiramos.Isso é fantástico e, ao mesmo, tempo assustador.
Assusto-me ao constatar que podemos nos tornar reféns de sentimentos que não dominamos; ao mesmo tempo, me encanta a possibilidade de experimentar sensações inusitadas.
Viver é magia; é trancendência.
Penso que, se algumas coisas acontecem por acaso, não é por acaso que passam a ser indispensáveis na nossa vida.
Assim deve ser com as pessoas que cruzam nossas vidas "por acaso"; algo de mágico nelas nos seduz. Nos tornamos cativos dos seus encantos- reais ou falsos. Refletindo sobre tudo isso, chego a conclusão de que não importa se algumas coisas ou pessoas chegam até nós por acaso ou não; o que importa, realmente, é saber tirar proveito do que elas têm de bom.
Quando se trata de pessoas, nada mais gratificante que compartilhar as vivências de cada um; fazer trocas prazerosas; somar o amor de ambos; constituirse, a partir daí, em seres mais ricos e mais completos.

sábado, 30 de maio de 2009

Uma das minhas poesias publicadas no Recanto das letras



Estação das Flores...e dos Amores

Sinto o perfume no ar.

É primavera: estação das flores,

E dos amores...amores eternos,

Amores efêmeros:

Que chegam e logo se vão.

Grito teu nome,

Não podes me ouvir,

Partiste há algum tempo,

Nem lembro a estação.

É primavera: estação das flores.

Dos Lírios e dos Crisântemos;

De todas as flores que exalam

O mesmo perfume enebriante,

Dos corpos ardentes dos amantes,

Consumidos pelo fogo da paixão,

Pelo desejo incontido na hora do Amor.

É primavera: estação das flores.

Procuro um novo amor.

Alguém que me ame,

Do jeito que me amaste;

Com a mesma intensidade.

Que me envolva em seus braços,

Com a mesma emoção;

Que beije a minha boca,

Com o mesmo ardor.

É primavera: estação das flores.

Preciso de alguém

Que me conforte;

Que me faça esquecer,

Que um dia fui tua,

De corpo e de alma,

Por um tempo tão breve

É primavera: estação das flores.

O meu consolo é saber

Que outras Primaveras virão,

E com elas, outros Amores também!



sexta-feira, 29 de maio de 2009


Desejo a todos, amigos!
Infinito Amor
Tus ojos tienen color,
El color del amor.
Mis ojos tristes,
Fijon los tuyos.
Yo sé que te perdi.
No es necesário que me digas.
Mi corazón está sangrando.
Mi alma desatinada,
No se conforma
Con tanto dolor.
Pero mi amor por ti
Es infinito.
Aunque este sea el último
Dolor que me causes,
Jamás de ti me olvidaré!
(camilomortagua)
"Contei os meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma tijela de cerejas. As primeiras, ela chupou-as displicente, mas percebendo que faltavam poucas para acabar, retardou o que pôde para consumir as que restavam".

Lindas palavras.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
"as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Quero a essência, a minha alma tem pressa...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Minhas alunas da 6ª série.
São meninas que moram na periferia; com poucos recursos econômicos, famílias problematizadas e tantos outros problemas. Espero que saibam conduzir suas vidas com sabedoria para que tenham mais sorte do que seus pais; mais que isso: sejam felizes.

Essas são algumas das crianças a quem procuro mostrar que o futuro do nosso Planeta está nas mãos deles; que é só através da conscientização de todos que poderemos evitar a destruição total da nossa "Casa".
Jardim Secreto
Eu tenho um jardim secreto,
Fechado a sete chaves.
Dele faço meu refúgio,
O meu esconderijo.
Nas tardes primaveris,
Deito na relva macia
E, entre flores coloridas
E perfumadas,
Adormeço e sonho.
No meu jardim secreto,
Existe uma fonte
Cuja água doce e cristalina
Sacia minha sede.
Eu tenho um jardim secreto
De beleza indescrítivel.
É lá que alivio as minhas dores,
Que esqueço dos amores,
Aqueles que só trouxeram dissabores.
No meu jardim secreto,
Não vejo o tempo passar,
Pois lá não há pressa,
Tudo nele é perfeito,
Puro deleite.
No meu jardim secreto,
Sou novamente adolescente,
Menina inocente
Que só pensa em viverUma grande paixão.
E lá no meu jardim,
Guardo um tesouro
De valor inestimável.
Aquele que conseguir
Conquistar meu coração,
As chaves do meu jardim entregarei
E a ele oferecerei
O meu precioso tesouro:
Um baú feito de sonhos.
Dentro dele há muito amor,
Sinceridade e generosidade.
Tudo na medida certa,
Para se viver
Como nos contos de fadas,
Onde o final é sempre muito feliz.
(Camilomortagua)

Uma boa noite, amigos!
Bj

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Que mulher sou eu...

Eu sou uma mulher inquieta,
Irriquieta;

Eu sou uma mulher
Que não não desiste facilmente;

Eu sou uma mulher
De poucas certezas;

Eu sou uma mulher
Coerente de mente;

Eu sou uma mulher
Incoerente no amor;

Eu sou uma mulher
Explicitamente libertária;


Eu sou uma mulher do meu tempo
Que não aceita a submissão;

Eu sou uma mulher
Que despreza a hipocrisia;

Eu sou uma mulher
Às vezes anjo, às vezes demônio;

Eu sou uma mulher
De muita teimosia;
Eu sou uma mulher
Igual a tantas outras...

Eu sou uma mulher
Que não se deixa abater;
Eu sou uma mulher
Saudosa de quem partiu;

Eu sou uma mulher

Que aprendeu que a vida nem sempre é justa;
Que o tempo não pára;
Que é preciso viver cada minuto
Como se fosse o última.

Eu sou uma Mulher Presente!
(Camilomortágua)






















domingo, 24 de maio de 2009

Belo poema...

MULHER E O TEU CORPO NU

Teu corpo despido, mulher,é beleza, é encanto e tortura de desejos,tuas silhuetas deixam-me perdidona excitação para o amor...Teu olhar é uma tentação quando fitam para mim,não sei se é hipnose,sei, sim que perco a ação.Teu beijo deixam-me num estadode acinesia...quando cochichas no meu ouvidosinto uma inominável alegria...Os teus abraços,mesmo reais, parecem fantasia,passar a mão pelas tuas curvasenche-me de ansiedade...Passar o nariz nos teus seios fico enlouquecido,é o princípio da consumaçãodo amor...O resto é o descontrole e desprezo da razão...até o ápice do amor!

Autor

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Recordar
Re-cordis: do Latim
Voltar a passar pelo coração

E então me descubro
Saudosa de ti,
Quando as lembranças
De um tempo distante,
Que juntos vivemos,
Insistem em passar
Pelo meu coração,
E a certeza de que te perdi
Fazem de mim
Um ser infeliz; incompleto,
A espera de um novo amor,
Que abrande a minha dor
E toda a saudade
Contida em meu peito,
Que me deixa sem ar,
Quase sem respirar.
Quero afastar da minha mente
As tristes evocações
Que insistem em atormentar
O meu coração
E dar lugar, tão-somente,
A doces lembranças,
Aquelas que estão no porvir,
Mas que sem demora,
Serão Presente,
E, com o curso da história,
Um Pretérito Mais Que Perfeito
Só de belas recordações.

Camilomortágua ( Site Recanto das Letras )






segunda-feira, 18 de maio de 2009

As eternas divas...depois delas, não surgiu ninguém que estivesse à altura de tão belas mulheres tampouco, de galãs tão sedutores.
Sou apaixonada por atrizes e atores de fimes que se tornaram clássicos.

domingo, 17 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009





Un artículo de Eduardo Galeano

(Para mayores de 40)Lo que me pasa es que no consigo andar por el mundo tirando cosas y cambiándolas por el modelo siguiente sólo porque a alguien se le ocurre agregarle una función o achicarlo un poco.No hace tanto, con mi mujer, lavábamos los pañales de los críos, los colgábamos en la cuerda junto a otra ropita, los planchábamos, los doblábamos y los preparábamos para que los volvieran a ensuciar.Y ellos, nuestros nenes, apenas crecieron y tuvieron sus propios hijos se encargaron de tirar todo por la borda, incluyendo los pañales.¡Se entregaron inescrupulosamente a los desechables! Si, ya lo sé. A nuestra generación siempre le costó tirar. ¡Ni los desechos nos resultaron muy desechables! Y así anduvimos por las calles guardando los mocos en el bolsillo y las grasas en los repasadores.¡¡¡Nooo!!! Yo no digo que eso era mejor. Lo que digo es que en algún momento me distraje, me caí del mundo y ahora no sé por dónde se entra. Lo más probable es que lo de ahora esté bien, eso no lo discuto. Lo que pasa es que no consigo cambiar el equipo de música una vez por año, el celular cada tres meses o el monitor de la computadora todas las navidades.¡Guardo los vasos desechables!¡Lavo los guantes de látex que eran para usar una sola vez!¡Apilo como un viejo ridículo las bandejitas de espuma plástica de los pollos!¡Los cubiertos de plástico conviven con los de acero inoxidable en el cajón de los cubiertos!¡Es que vengo de un tiempo en el que las cosas se compraban para toda la vida!¡Es más!¡Se compraban para la vida de los que venían después!La gente heredaba relojes de pared, juegos de copas, fiambreras de tejido y hasta palanganas de loza.
Y resulta que en nuestro no tan largo matrimonio, hemos tenido más cocinas que las que había en todo el barrio en mi infancia y hemos cambiado de heladera tres veces.
¡¡Nos están fastidiando! ! ¡¡Yo los descubrí!! ¡¡Lo hacen adrede!! Todo se rompe, se gasta, se oxida, se quiebra o se consume al poco tiempo para que tengamos que cambiarlo. Nada se repara. Lo obsoleto es de fábrica.¿Dónde están los zapateros arreglando las media-suelas de las Nike?¿Alguien ha visto a algún colchonero escardando sommiers casa por casa?¿Quién arregla los cuchillos eléctricos? ¿El afilador o el electricista?¿Habrá teflón para los hojalateros o asientos de aviones para los talabarteros?Todo se tira, todo se desecha y, mientras tanto, producimos más y más basura.El otro día leí que se produjo más basura en los últimos 40 años que en toda la historia de la humanidad.El que tenga menos de 40 años no va a creer esto: ¡¡Cuando yo era niño por mi casa no pasaba el basurero!!
¡¡Lo juro!! ¡Y tengo menos de... años!Todos los desechos eran orgánicos e iban a parar al gallinero, a los patos o a los conejos (y no estoy hablando del siglo XVII)No existía el plástico ni el nylon. La goma sólo la veíamos en las ruedas de los autos y las que no estaban rodando las quemábamos en la Fiesta de San Juan.Los pocos desechos que no se comían los animales, servían de abono o se quemaban. De 'por ahí' vengo yo. Y no es que haya sido mejor. Es que no es fácil para un pobre tipo al que lo educaron con el 'guarde y guarde que alguna vez puede servir para algo', pasarse al 'compre y tire que ya se viene el modelo nuevo'.Mi cabeza no resiste tanto.Ahora mis parientes y los hijos de mis amigos no sólo cambian de celular una vez por semana, sino que, además, cambian el número, la dirección electrónica y hasta la dirección real.
Y a mí me prepararon para vivir con el mismo número, la misma mujer, la misma casa y el mismo nombre (y vaya si era un nombre como para cambiarlo) Me educaron para guardar todo. ¡¡¡Toooodo!!! Lo que servía y lo que no. Porque algún día las cosas podían volver a servir. Le dábamos crédito a todo.Si, ya lo sé, tuvimos un gran problema: nunca nos explicaron qué cosas nos podían servir y qué cosas no. Y en el afán de guardar (porque éramos de hacer caso) guardamos hasta el ombligo de nuestro primer hijo, el diente del segundo, las carpetas del jardín de infantes y no sé cómo no guardamos la primera caquita. ¿Cómo quieren que entienda a esa gente que se desprende de su celular a los pocos meses de comprarlo?¿Será que cuando las cosas se consiguen fácilmente, no se valoran y se vuelven desechables con la misma facilidad con la que se consiguieron?En casa teníamos un mueble con cuatro cajones. El primer cajón era para los manteles y los repasadores, el segundo para los cubiertos y el tercero y el cuarto para todo lo que no fuera mantel ni cubierto. Y guardábamos.. . ¡¡Cómo guardábamos!! ¡¡Tooooodo lo guardábamos!! ¡¡Guardábamos las chapitas de los refrescos!! ¡¿Cómo para qué?! Hacíamos limpia-calzados para poner delante de la puerta para quitarnos el barro. Dobladas y enganchadas a una piola se convertían en cortinas para los bares. Al terminar las clases le sacábamos el corcho, las martillábamos y las clavábamos en una tablita para hacer los instrumentos para la fiesta de fin de año de la escuela. ¡Tooodo guardábamos!¡¡¡Las cosas que usábamos!!!: mantillas de faroles, ruleros, ondulines y agujas de primus. Y las cosas que nunca usaríamos. Botones que perdían a sus camisas y carreteles que se quedaban sin hilo se iban amontonando en el tercer y en el cuarto cajón. Partes de lapiceras que algún día podíamos volver a precisar. Tubitos de plástico sin la tinta, tubitos de tinta sin el plástico, capuchones sin la lapicera, lapiceras sin el capuchón. Encendedores sin gas o encendedores que perdían el resorte. Resortes que perdían a su encendedor.Cuando el mundo se exprimía el cerebro para inventar encendedores que se tiraban al terminar su ciclo, inventábamos la recarga de los encendedores descartables. Y las Gillette -hasta partidas a la mitad- se convertían en sacapuntas por todo el ciclo escolar. Y nuestros cajones guardaban las llavecitas de las latas de sardinas o del corned-beef, por las dudas que alguna lata viniera sin su llave. ¡Y las pilas! Las pilas de las primeras Spica pasaban del congelador al techo de la casa. Porque no sabíamos bien si había que darles calor o frío para que vivieran un poco más. No nos resignábamos a que se terminara su vida útil, no podíamos creer que algo viviera menos que un jazmín.Las cosas no eran desechables. Eran guardables. ¡¡¡Los diarios!!! Servían para todo: para hacer plantillas para las botas de goma, para poner en el piso los días de lluvia y por sobre todas las cosas para envolver. ¡¡¡Las veces que nos enterábamos de algún resultado leyendo el diario pegado al trozo de carne!!!Y guardábamos el papel plateado de los chocolates y de los cigarros para hacer guías de pinitos de navidad y las páginas del almanaque para hacer cuadros y los cuentagotas de los remedios por si algún medicamento no traía el cuentagotas y los fósforos usados porque podíamos prender una hornalla de la Volcán desde la otra que estaba prendida y las cajas de zapatos que se convirtieron en los primeros álbumes de fotos. Y las cajas de cigarros Richmond se volvían cinturones y posa-mates y los frasquitos de las inyecciones con tapitas de goma se amontonaban vaya a saber con qué intención, y los mazos de naipes se reutilizaban aunque faltara alguna, con la inscripción a mano en una sota de espada que decía 'éste es un 4 de bastos'.Los cajones guardaban pedazos izquierdos de palillos de ropa y el ganchito de metal. Al tiempo albergaban sólo pedazos derechos que esperaban a su otra mitad para convertirse otra vez en un palillo.Yo sé lo que nos pasaba: nos costaba mucho declarar la muerte de nuestros objetos. Así como hoy las nuevas generaciones deciden 'matarlos' apenas aparentan dejar de servir, aquellos tiempos eran de no declarar muerto a nada: ¡¡¡ni a Walt Disney!!!Y cuando nos vendieron helados en copitas cuya tapa se convertía en base y nos dijeron: 'Cómase el helado y después tire la copita', nosotros dijimos que sí, pero, ¡¡¡minga que la íbamos a tirar!!! Las pusimos a vivir en el estante de los vasos y de las copas. Las latas de arvejas y de duraznos se volvieron macetas y hasta teléfonos. Las primeras botellas de plástico se transformaron en adornos de dudosa belleza. Las hueveras se convirtieron en depósitos de acuarelas, las tapas de botellones en ceniceros, las primeras latas de cerveza en portalápices y los corchos esperaron encontrarse con una botella..
Y me muerdo para no hacer un paralelo entre los valores que se desechan y los que preservábamos. ¡¡¡Ah!!! ¡¡¡No lo voy a hacer!!! Me muero por decir que hoy no sólo los electrodomésticos son desechables; que también el matrimonio y hasta la amistad son descartables. Pero no cometeré la imprudencia de comparar objetos con personas. Me muerdo para no hablar de la identidad que se va perdiendo, de la memoria colectiva que se va tirando, del pasado efímero. No lo voy a hacer. No voy a mezclar los temas, no voy a decir que a lo perenne lo han vuelto caduco y a lo caduco lo hicieron perenne. No voy a decir que a los ancianos se les declara la muerte apenas empiezan a fallar en sus funciones, que los cónyuges se cambian por modelos más nuevos, que a las personas que les falta alguna función se les discrimina o que valoran más a los lindos, con brillo y glamour.Esto sólo es una crónica que habla de pañales y de celulares. De lo contrario, si mezcláramos las cosas, tendría que plantearme seriamente entregar a la 'bruja' como parte de pago de una señora con menos kilómetros y alguna función nueva. Pero yo soy lento para transitar este mundo de la reposición y corro el riesgo de que la 'bruja' me gane de mano y sea yo el entregado..


Hasta aquí Eduardo Galeano

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A todas as pessoas "Gente Fina!"

Quando um número crítico de pessoas muda a forma de pensar e se comportar, a cultura também muda e uma nova era se inicia.
"Gente Fina Gente fina é aquela pessoa que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir. Gente fina é aquela pessoa generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - apenas tem opinião. "...Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera..." O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, nãotrapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo prá colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz adiferença.

MARTHA MEDEIROS

domingo, 10 de maio de 2009

Uma homenagem a todas Elas

Mãe artista do amor
Nunca cursou artes, nem dramaturgia.
mas sempre ensinou contos, músicas e poesias.
Mesmo não sendo médica nem psicanalista,
Muitas dores já aliviou.
Teu colo como divã alguém deitou e chorou, chorou...
Não aprendeu técnica vocal.
Muito menos opereta,
Mas já embalou sono,
Cantando "BOI DA CARA PRETA."
Nem sempre foste à escola,
Por causa da tua lida.
Mas ensinas com amor, o ABC da vida.
Não és cartomante, jamais fizeste magia.
Mas, sabes ler com o coração,
Uma tristeza e uma alegria.
Mãe, teu lar é o cenárioteus filhos são os fãs
Pois sabes sorrir chorando
No lamento e na dor.
E no palco da vidaTu és a ARTISTA DO AMOR.
de Carmem do Carmo da Silva Barret

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ese es el más recente poema publicado el Recanto das Letras

Es hora de rompier el ciclo

La tentación es grande,

Casi no consigo controlarme,

Pero una fuerza interior me refrena,

Y me hace percibir

Que esa vontad irresistible

Que tengo de encontrarte,

Lanzarme en tus brazos

Y entregarme sín pudores ,

Como de las otras vezes,

Es puro egoísmo mío,

Que só te hará sofrer,

Porque despues de mís deseos saciados,

Te abandonaré,

Como hice tantas vezes,

Embusca de nuevos amores,

E tu permanecerás solo,

Soñando com mí regreso,

Con mís besos calientes

Y mís carícias envolvientes,

Que hacen tu corpo vibrar

E despiertan en ti

Deseos de gozos infinitos...

Es hora de el ciclo,

Acabar con ese capricho

Que só te causa dolor,

Que deja un gosto amargo en tu boca,

Toda vez que te despiertas,

Estendes las manos,

Buscando mí para tocar mí cuerpo

Y já no estoy en tu cama.

Es hora de descubrires

Que mí encanto por tí es pasagero,

No soy una para vivir para siempre

Al lado del un único hombre

Soy aventurera,

No me prendo a nada,

Ni a nadie,

Soy livre como un pájaro cantante

Que se quedaría callado

Para siempre,

Si fuese en una gayola,

Aunque ella fuese echa de oro.


Yo lo siento.


( Camilomortágua )

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Nos tempos de hoje denomina-se muita coisa, de forma equivocada, como arte. Para mim, arte continua sendo aquilo que nos encanta por sua beleza e pela forma com que atinge o espectador e faz com que desperte nele sentimentos prazerosos e ou de reflexão.

Uma homenagem a todos àqueles que permitem que eu entre no seu espaço e copartilhe das coisas lindas que fazem.

Um bj

A imagem é perfeita para representar os momentos em que nos sentimos como os pobres peixes que são tirados do seu habitat natural e levados para um espaço delimitado, onde ficam à mercê de alguém para lhes alimentar e garantir sua sobrevivência.
Ao ver essa imagem, logo me veio à cabeça a situação de muitas pessoas que se sentem presas e sufocadas em determinada situação; mergulhadas em problemas, sem ver saída.
Nesse caso particular, imaginei o problema que muitas mulheres ainda vivem, prisioneiras nas mãos de homens que as dominam, seja pela dependência econômica ou emocional.
Em qualquer que seja o caso, hoje, há como se libertar desse problema que fez com que muitas gerações de mulheres, no passado, se submetessem a isso. Atualmente, as jovens estruturadas , que sabem desde cedo o que querem, buscam primeiro a sua realização pesoal e profissional e depois um relacionamento amoroso mais sério; filhos passou a ser a última coisa a pensar.
Embora constatemos que isso não se configura da mesma forma em todas as classes sociais;penso que avançamos muito no que diz respeito a termos os mesmos direitos que os homens.
É necessário, não obstante, que tenhamos em mente que não podemos vacilar e devemos continuar a luta, para obtermos os mesmos direitos que os homens, sem nenhuma restrição, mas isso não significa tê-los como imigos e nem tampouco repetirmos comportamentos inaceitáveis para qualquer pessoa, seja ela do genêro masculino ou feminino.
Como diz o ditado que atribuiram ser de autoria de Che Guevara ( e que já se sabe não ser ) : ay que endurecer, pero sín pierder la ternura !

É maravilhoso viajar e conhecer lugares, povos e culturas diferentes.
Particularmente, adoro o contraste do antigo com o moderno encontrado na arquitetura das cidades européias: palácios decorados com ouro, mármore, tapeçaria, cristais e o que há de mais requintado convivem lado a lado, com prédios modernos, de estilos arrojados que dipõem de todo tipo de tecnologia e, no entanto, nenhum ofusca o "brilho" do outro

domingo, 26 de abril de 2009


Leila Marinho Lage é uma médica que publica texto no mesmo site que eu: Recanto das Letras .

Envio matérias sobre o autor desta obra, a letra da música em algumas versões, além de vídeos com memoráveis interpretações artísticas.Vida de Joaquín RodrigoPágina 1 Página 2Sobre o Concerto de Aranjuez Página 1 You tubeCom Paco de LuciaCom Andrea BocelliCom Sarah Brightman Com Jose Carreras Dentro de uma basílica.

Leila Marinho Lage
En Aranjuez con tu amorPubliquei em E-books um PPS chamado Ambiguidade, com poema de Vany Grizante, colega nossa do Recanto das Letras. Podem acessar a apresentação através deste link:http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1558988Eu queria homenagear Vany usando algum trabalho seu. Escolhi o referido poema por instinto e por ele ser muito bonito. Ao formatar a apresentação, automaticamente me veio à cabeça a música Aranjuez mon amour, versão em francês de En Aranjuez com tu amor, um pequeno trecho musical que pertence ao Concerto de Aranjuez, por Joaquín Rodrigo Vidre, pianista e compositor espanhol (1901/1999). Quem fez a letra para Joaquín Rodrigo foi Alfredo Garcia Segura. Esta obra teve sua première em 1940, em Barcelona. Eu me interessei em ler mais a respeito da música. Só não descobri quem realmente fez a versão em francês, talvez os próprios compositores espanhóis.Esta música se popularizou mundialmente e foi cantada e tocada por centenas de artistas. Foi eternizada na voz de Amália Rodrigues, fadista portuguesa, quando gravada em 1967, uma interpretação perfeita na pronúncia e na voz. Aranjuez é uma pequena cidade situada no sul de Madrid, perto do rio Tejo, na Espanha. Famosa pelo cultivo de morangos e aspargos. Possui lindos palácios, dentre eles, o Palácio Real, antiga residência dos reis da Casa de Bourbon, e a "Casita del Labrador", um palacete que guarda uma rica coleção de relógios. São rodeados por lindos jardins e cachoeiras. Rodrigo descreve no concerto essa beleza, através da percepção de sons e perfumes, que compartilhou com sua esposa, a pianista Victoria Kamhi, em sua lua-de-mel em 1933. Ele dizia que “sua música repousa sonhadora sob a folhagem do parque que rodeia o palácio barroco, e apenas deseja ser ágil como uma borboleta e precisa como o passe da capa de um toureiro”. Em suas composições musicais Joaquín Rodrigo enaltecia os sentidos, como os odores, o calor do sol, o som dos pássaros, justamente por ser cego desde criança, após ter contraído difteria. Por isso é que tinha que ser esta música para a apresentação que eu formatei, ainda mais que fala de amor, apesar de haver uma lendária e triste explicação para esta composição, que afirma que Rodrigo tentava com ela consolar sua esposa que por anos estava deprimida pela morte de um filho, após o parto. Rodrigo recorria a Deus para salvar sua esposa e a ele próprio, trazendo-lhes alegria ao reviver dias bons, paz de espírito e aceitação da perda.O compositor se inspirou na musica espanhola barroca dos séculos 17 e 18. O concerto é composto por uma orquestra que acompanha um violão flamenco solo. Foi idealizado em 1939, constituindo três movimentos: "Allegro con spirito", um passeio, como anteriormente foi dito, através das sensações que o belo a redor transmite.O segundo movimento, "Adagio", este, o mais conhecido, se baseia em um lamento andaluz, lento, cadenciado, até explodir toda a orquestra, tal qual Bolero de Ravel. Alguns dizem que o movimento foi inspirado no bombardeio de Guernica, na guerra civil espanhola que durou de 1936 a 1939. O terceiro movimento, chamado "Allegro gentile", volta ao barroco, agora acrescido o ritmo das antigas danças populares.Em 1959 Miles Davis, em parceria com Gil Evans, utilizou o segundo movimento para o arranjo que até hoje encanta o mundo, lançado no álbum chamado Sketches of Spain, mas que infelizmente fez com que o resto da obra fosse deixado em segundo plano.Abaixo envio matérias sobre o autor desta obra, a letra da música em algumas versões, além de vídeos com memoráveis interpretações artísticas.Vida de Joaquín RodrigoPágina 1 Página 2Sobre o Concerto de Aranjuez Página 1

Leila Marinho Lage
En Aranjuez con tu amor

Letra em Inglês e Português Em Aranjuez com teu amor Aranjuez, a place of dreams and love Aranjuez,Aranjuez, um local de sonho e amor Where a rumour of crystal fountains in the garden Sempre que um rumor de fontes de cristal no jardim Seems to whisper to the roses Parece que sussurrar para as rosas Aranjuez, today the dry leaves without colour Aranjuez, hoje as folhas secas sem cor Which are swept by the wind Quais são varridos pelo vento Are memories of the romance you and I once started together São lembranças do romance que você e eu juntos começamosAnd that we've forgotten without reason E que temos esquecido sem motivo Maybe that love is hidden in one sunset Talvez que o amor esteja escondido em um pôr-do-sol In the breeze or in the flower Na brisa ou na flor Waiting for your return Aguardando o seu retorno Aranjuez, today the dry leaves without colour Aranjuez, hoje as folhas secas sem cor Which are swept by the wind Os quais são varridos pelo vento Are memories of the romance you and I once started together São lembranças do romance que você e eu juntos começamosAnd that we've forgotten without reason E que temos esquecido sem motivo In Aranjuez, my love Em Aranjuez, meu amor You and I Você e eu

Letra em EspanholEn Aranjuez Con Tu AmorAranjuez, Aranjuez, Un lugar de ensuenos y de amor Donde u rumor de fuentes de cristal de cristal En el jardin parece hablar En voz baja a las rosas Aranjuez, Aranjuez, Hoy las hojas secas sin color Que barre el viento Son recuerdos del romance Que una vez juntos empezamos tu y yo Y sin razon olvidamos Quiza ese amor escondido este En un atardecer En la brisa o en la flor Esperando tu regreso Aranjuez, Aranjuez, Hoy las hojas secas sin color Que barre el viento Son recuerdos del romace Que una vez juntos empezamos tu y yo Y sin razon olvidamos En Aranjuez, amor Tu y yo

Letra em francêsAranjuez, Mon AmourMon amour, sur l'eau des fontaines, mon amourOu le vent les amènent, mon amourLe soir tombé, qu'on voit flottéDes pétales de rosesMon amour et des murs se gercent mon amourAu soleil au vent à l'averse et aux années qui vontpassantDepuis le matin de mai qu'ils sont venusEt quand chantant, soudain ils ont écrit sur les mursdu bout de leur fusilDe bien étranges chosesMon amour, le rosier suit les traces, mon amourSur le mur et enlace, mon amourLeurs noms gravés et chaque étéD'un beau rouge sont les rosesMon amour, sèche les fontaines, mon amourAu soleil au vent de la plaine et aux années qui vontpassantDepuis le matin de mai qu'il sont venusLa fleur au cœur, les pieds nus, le pas lentEt les yeux éclairés d'un étrange sourireEt sur ce mur lorsque le soir descendOn croirait voir des taches de sangCe ne sont que des roses!Aranjuez, mon amour

Leila Marinho Lage

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Essa é Sophia, minha neta!!!


Penso que uma das melhores coisas da vida é comer bem. Portanto, estou sempre em busca de bons restaurantes; lugares charmosos e que tenham um bom atendimento.
Estou um pouco acima do meu peso, justamente por isso...mas não abro mão de uma boa comida. E se for em boa companhia, melhor ainda!
Aos poucos descubro que Porto Alegre está se sofisticando na área da gastronomia; é só procurar.
Há todo tipo de cozinha: das mais simples, às mais sofisticadas. Aliás, o Rio Grande do Sul é privilegiado com a diversidade de culturas e costumes diferentes trazidos pelos imigrantes que aqui aportaram , daí tanta riqueza na culinária.
Bem, vou aproveitar o feriadão e me esbaldar!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dizer que gato preto dá azar é demonstração de racismo heim! (=':'=) "HeHeHeHeHe" (=';'=)Coitado do bixinho, que não tem nada a ver com as superstições humanas!
Para aqueles que curtem gatos: os bichos!!
"O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato."Trecho de Ode ao Gato de Artur da Távola

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nos últimos tempos, tenho me assustado com o peso da idade e a curva descendente em diração à velhice e a morte.
E vocês, amigos , como lidam com isso?


O texto a baixo é do grande Rubem Alves. Vale a apena conferir.

Tenho medo...
Um casal de amigos enviou-me um fax com um pedido: que lhes mandasse os nomes dos livros que tenho sobre o medo. Explicaram a razão do pedido: tinham medo... E pensavam que pela leitura daquilo que sobre o medo se escreveu como ciência e filosofia, o seu próprio medo ficaria mais leve.Procurei fazer o que me pediam. Pus a funcionar os arquivos da minha memória, procurando identificar os livros sobre o medo que estariam na minha biblioteca. Inutilmente. Nenhum título me veio à mente. Dei-me conta de que não possuo nenhum livro sobre o medo. Sem livros a que recorrer, pus-me a pensar meus próprios pensamentos sobre o medo. E o primeiro pensamento que me veio foi o seguinte: Eu tenho medo. Eu sempre tive medo. Viver é lutar diariamente com o medo. Talvez esse seja o sentido a lenda de São Jorge, lutando com o dragão. O dragão não morre nunca. E a batalha se repete, a cada dia.Como não pudesse ajudar meus amigos com bibliografia filosófica e científica, resolvi compartilhar com eles minha condição. O medo tem muitas faces. Lembro-me de que, bem pequeno ainda, acordei chorando, imaginando que um dia eu estaria sozinho no mundo. Foi uma dura experiência de abandono. Tive medo de não ser capaz de ganhar a minha vida quando meu pai e minha mãe partissem. Na verdade eu tinha era medo da orfandade, do abandono. Minha filha Raquel tinha não mais que três anos. Era cedo, bem cedo. Ela me acordou e me perguntou: “Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?“ Essa foi a forma delicada que ela teve de me dizer que tinha medo da saudade que ela iria sentir, quando eu partisse. O rosto do medo mudou. Mas o sentimento continua o mesmo. Tenho medo da solidão. Há uma solidão boa. É a solidão necessária para ouvir música, ler, pensar, escrever. Mas há a solidão do abandono. Buber relata que, numa língua africana, a palavra para dizer “solidão“ é composta de uma série de palavras aglutinadas que, se traduzidas uma a uma, dariam a frase: Lá, onde alguém grita: Oh! mãe! Estou perdido! O trágico dessa palavra é que o grito nunca será ouvido, nunca terá resposta. Tenho medo da degeneração estética da velhice. Tenho medo que um derrame me paralise, deixando-me sem meios de efetivar a decisão que seria sábia e amorosa: partir. Tenho medo da morte. Antigamente esse medo me atormentava diariamente. Depois ele se tornou gentil. Ficou suave. Passei a compreender que a morte pode ser uma amiga. Veio-me à mente uma frase que se encontra na oração Pelos que vão morrer, de Walter Rauschenbusch: “Ó Deus, nós te louvamos porque para nós a morte não é mais uma inimiga, e sim um grande anjo teu, nosso amigo, o único a poder abrir, para alguns de nós, a prisão da dor e do sofrimento e nos levar para os espaços imensos de uma nova vida. Mas nós somos como crianças, com medo do escuro...“ (Orações por um mundo melhor, Paulus ). O Vinícius disse a mesma coisa de um outro jeito: “Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante, sem saber que é a minha mais nova namorada.“ Boas são as palavras das orações e dos poemas: elas têm o poder de transfigurar a face do medo. Meu medo da morte ficou suave porque o seu terror foi amenizado pela tristeza. Ah! Mário Quintana! Como eu gosto de você, velho que nunca deixou de ser menino! Você sabia tirar o terror do medo rindo diante dele. Você lidava com seus medos como se fossem brinquedos. Delicioso, esse brinquedinho: “Um dia...pronto!...me acabo./ Pois seja o que tem de ser./ Morrer: que me importa? O diabo é deixar de viver!“ Isso mesmo. O terrível não é morrer; é deixar de viver. O terrível não é o que está à frente; é o que deixamos para trás. É um desaforo ter de deixar essa vida! Zorba, quando percebeu que seu momento chegara, foi até a janela, olhou para as montanhas no horizonte, pôs-se a relinchar como um cavalo e gritou: “Um homem como eu teria de viver mil anos!“ E eu pergunto: “Por que tanta modéstia? Por que só mil?“Mas tenho medo do morrer. Medo da morte e medo do morrer são coisas distintas. O morrer pode ser doloroso, longo, humilhante. Especialmente quando os médicos não permitem que o corpo que deseja morrer, morra.Tenho medo também da loucura. Não há sinal algum de que eu vá ficar louco. Mas nunca se sabe! Muitas mentes luminosas ficaram insanas. E tenho medo de que algo ruim venha a acontecer com meus filhos e netas. Sábias foram as palavras daquele homem que, no livro onde deveriam ser escritos os bons desejos à recém-nascida neta do rei, escreveu: “Morre o avô, morre o pai, morre o filho...“ Enfurecido, o rei lhe pede explicações. “Majestade: haverá tristeza maior para um avô que ver o seu filho morrer? E para o seu filho: haveria tristeza maior que ver sua filhinha morrer? É preciso que a morte aconteça na ordem certa...“ Tenho medo de que a morte não aconteça na ordem certa.Somos iguais aos animais, em que as mesmas coisas terríveis podem acontecer a eles e a nós. Mas somos diferentes deles porque eles só sofrem como se deve sofrer, isto é, quando o terrível acontece. E nós, tolos, sofremos sem que ele tenha acontecido. Sofremos imaginando o terrível. O medo é a presença do terrível-não-acontecido, se apossando das nossas vidas. Ele pode acontecer? Pode. Mas ainda não aconteceu e nem se sabe se acontecerá.Curioso: nós, humanos, somos os únicos animais a ter prazer no medo. A colina suave não seduz o alpinista. Ele quer o perigo dos abismos, o calafrio das neves, a sensação de solidão. A terra firme, tão segura, tão sem medo, tão monótona! Mas é o mar sem fim que nos chama: “A solidez da terra, monótona, parece-nos fraca ilusão. Queremos a ilusão do grande mar, multiplicada em suas malhas de perigo...“ (Cecília Meireles).A pomba, que por medo do gavião, se recusasse a sair do ninho, já se teria perdido no próprio ato de fugir do gavião. Porque o medo lhe teria roubado aquilo que de mais precioso existe num pássaro: o vôo. Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.O medo não é uma perturbação psicológica. Ele é parte da nossa própria alma. O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar. Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja, vive a morte na própria vida. Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá, quando a morte vier. Mas só quando ela vier. Esse é o sentido das palavras de Jesus: “Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas quem perder a sua vida, a encontrará.“ Viver a vida, aceitando o risco da morte: isso tem o nome de coragem. Coragem não é ausência do medo. É viver, a despeito do medo.Houve um tempo em que eu invocava os deuses para me proteger do medo. Eu repetia os poemas sagrados para exorcizar o medo: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum...“ “Mil cairão à tua direita, dez mil à tua esquerda, mas nenhum mal te sucederá...“ A vida me ensinou que esses consolos não são verdadeiros. Os deuses não nos protegem do medo. Eles nos convidam à coragem de viver a despeito dele.Aperitivos1. Talvez essa seja a razão por que amamos o circo: porque nele podemos sentir medo sem correr perigo: voamos com os trapezistas, equilibramo-nos no fio de aço, enfrentamos tigres e leões... Experimentamos, na fantasia, o medo diante do terrível, assentados num lugar seguro...2. Bachelard: a delicadeza das suas meditações sobre a luz da vela acontece perante o medo de que um vento mais forte apague a chama: “Sim, a luz de um olhar, para onde ela vai quando a morte coloca seu dedo frio sobre os olhos de um morto?“ E no último parágrafo ele pergunta: “... será que ainda há tempo...?“3. Drummond: “Eterno (mas até quando?) é esse barulho em nós de um mar profundo. Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos...“ E o Vinícius, que confessava o “terrível medo de renascer dentro da treva.“ ( A casa de Rubem Alves.Correio Popular, Caderno C, 22/07/2001.)